
Moradores da cidade costeira de La Guaira, a mais atingida pelo duplo terremoto que abalou a Venezuela, passaram a quinta-feira (25) cavando os escombros com as próprias mãos em busca de sobreviventes.
Dois tremores de magnitudes 7,2 e 7,5 registrados na noite de quarta-feira (24) em um intervalo de menos de um minuto. Até a última atualização desta reportagem, as autoridades confirmavam 188 mortes e 1.520 feridos.
Quase 24 horas após os tremores, muitos moradores afirmavam que o socorro ainda não havia chegado a diversas áreas afetadas.
“Estamos tentando ajudar com o que podemos, mas faltam equipamentos”, disse Carlos Borges, que participava das buscas, à Reuters.
Segundo ele, a falta de máquinas pesadas, como retroescavadeiras, dificulta a retirada das grandes placas de concreto que restaram dos prédios destruídos. Borges contou ainda que o grupo conseguiu retirar três pessoas com vida dos escombros de um edifício.
“Não é possível chamar os militares? Que todos venham ajudar. Coloquem-nos em veículos e tragam tratores de onde for possível”, pediu Argenis Martínez, que procurava um parente sob os escombros no bairro Los Corales, em La Guaira.
Em alguns locais, os escombros pegaram fogo durante a madrugada, apesar da interrupção do fornecimento de gás. Sem ter para onde ir, dezenas de pessoas passaram a noite nas ruas ou vasculharam prédios destruídos em busca de sobreviventes.
A presidente interina, Delcy Rodríguez, classificou La Guaira como uma “zona de desastre” e disse que o governo trabalha com empresas privadas para mobilizar máquinas pesadas e acelerar os resgates.
Apesar disso, muitos moradores seguem esperando.
“Meu filho está debaixo das placas de concreto e não há máquinas para tirá-lo de lá”, disse Yamileth Jiménez, que acredita que o filho de 19 anos esteja preso sob os escombros do prédio onde moravam.
Em outro ponto da cidade, vizinhos retiraram dois corpos de uma casa, entre eles o de uma menina. Em um prédio residencial, moradores conseguiram salvar uma mulher e duas crianças, feridas, mas com vida.
Em Caracas, enquanto algumas equipes de emergência trabalhavam durante a madrugada, moradores reclamavam da demora no atendimento em outros bairros.





