
A trajetória de Matheus Cunha na Europa sempre foi marcada por expectativas altas. Desde os tempos de destaque nas categorias de base e sua transferência ainda muito jovem para o futebol europeu, havia a sensação de que ele tinha talento suficiente para se tornar um dos principais atacantes brasileiros da geração. O problema era transformar esse potencial em regularidade. Hoje, esse cenário parece diferente.
Após passagens por clubes como RB Leipzig, Hertha BSC e Atlético de Madrid, foi no Wolverhampton Wanderers F.C. que Cunha encontrou um contexto mais favorável para mostrar seu futebol. Com mais liberdade e confiança, passou a participar diretamente da construção das jogadas, marcar gols com frequência e assumir um papel de liderança no ataque.
O que mais chama atenção não é apenas a quantidade de gols, mas sua evolução como jogador. Cunha deixou de ser visto apenas como um atacante habilidoso para se tornar um atleta muito mais completo. Sua tomada de decisão parece ter evoluído bastante. Antes, havia momentos em que tentava resolver tudo sozinho ou oscilava durante a temporada. Hoje, demonstra mais inteligência para escolher quando acelerar, quando prender a bola e como aproveitar os espaços deixados pela defesa.
Além disso, sua intensidade sem a posse é um diferencial. Cunha pressiona a saída de bola, participa da marcação e oferece mobilidade constante, características cada vez mais valorizadas no futebol europeu. Outro ponto importante é a confiança. Atacantes vivem muito do momento, e Cunha transmite atualmente a sensação de um jogador confortável com a responsabilidade de decidir partidas.
Chegou ao auge?
No meu ponto de vista, Matheus Cunha está vivendo o melhor momento de sua carreira no futebol europeu. Isso não significa que tenha atingido seu teto. Aos 27 anos, ele ainda está em uma fase em que pode evoluir, principalmente se mantiver regularidade em competições de alto nível e continuar sendo decisivo contra os principais adversários.
Mais do que os números, a impressão é que ele finalmente encontrou uma identidade dentro de campo. Hoje, Cunha não depende apenas de lampejos de talento: ele influencia o jogo durante os 90 minutos.
Repórter\ Ian Malta





