De ‘astro’ a líder do bando: como vive Bubbles, o chimpanzé de Michael Jackson, visto de perto por brasileiro

 Foto: Divulgação

Quase duas décadas depois de deixar os holofotes, o chimpanzé Bubbles, inseparável companheiro de Michael Jackson nos anos 1980, vive sua “aposentadoria” com dias tranquilos e silenciosos em um santuário na Flórida, nos Estados Unidos. Quem testemunhou essa rotina de perto foi o biólogo brasileiro Vinícius Chagas, de Campinas (SP), que trabalhou como voluntário no local.

Aos 43 anos, o primata leva uma vida distante dos holofotes: passa o dia entre pinturas, brincadeiras, alimentação com frutas e verduras e interações sociais, longe das lentes que ajudaram a transformá-lo em um dos animais mais famosos do planeta. As câmeras, comuns no passado, hoje são motivo de aversão.

A história de Bubbles voltou a despertar curiosidade com o recente lançamento da cinebiografia “Michael”. Embora o animal faça parte de uma das fases mais conhecidas da trajetória do astro pop, sua vida hoje é bem diferente daquela marcada por aparições públicas, sessões de fotos e até viagens internacionais.

O biólogo brasileiro Vinícius Chagas, formado pela Unesp de São Vicente (SP), sempre teve interesse pela vida dos primatas e, por isso, se voluntariou para trabalhar no Center for Great Apes, santuário responsável pelos cuidados do animal desde 2005.

“Eu sempre tive essa paixão por primatas, pela primatologia. Pesquisando na internet, encontrei esse santuário na Flórida, o Center for Great Apes, que cuida de mais de 70 primatas residentes entre chimpanzés e orangotangos”, contou.

O trabalho dele incluía preparar a alimentação dos animais, acompanhar os diferentes grupos de chimpanzés e orangotangos e desenvolver atividades de enriquecimento ambiental, práticas usadas para estimular cognitivamente os primatas.

“A finalidade do santuário é prover uma aposentadoria digna para esses primatas, em um ambiente tranquilo, sem fatores estressores, em que eles vão poder exercer todas as funções cognitivas deles”, afirmou.

Segundo o próprio Center for Great Apes, Bubbles nasceu em 1983 em um laboratório biomédico e foi criado por um treinador de animais de Hollywood antes de passar a viver com Michael Jackson , ainda filhote.

Na época, passou a morar no rancho Neverland e se tornou presença constante ao lado do cantor: apareceu em videoclipes, filmes, entrevistas e acompanhou Jackson até em uma turnê promocional no Japão, quando tinha apenas 4 anos.

Porém, como acontece com todos os chimpanzés, o crescimento trouxe mudanças comportamentais e físicas. Com o aumento da força e da imprevisibilidade natural da espécie, Bubbles deixou de viver em ambientes domésticos e foi transferido novamente para o treinador que cuidava dele.

Em 2005, já aposentado da indústria do entretenimento, chegou ao Center for Great Apes junto de outros 15 chimpanzés vindos do show business. Hoje, segundo o santuário, ele vive em um ambiente voltado exclusivamente ao bem-estar destes animais resgatados.

A instituição afirma que a prioridade é oferecer uma vida estável, tranquila e socialmente rica para chimpanzés e orangotangos que vieram de contextos de exploração. Vinícius comenta que a realidade encontrada ali é distante da ideia de exibição.

“Todos eles têm uma história muito triste. Não são animais retirados da natureza recentemente. Vieram de situações de exploração da indústria farmacêutica, da indústria do cinema ou eram mantidos ilegalmente como pets.”

Segundo ele, o trabalho diário do santuário tenta, justamente, reparar parte dessas marcas.

📷 Avesso às câmeras

Embora tenha passado parte da infância sob exposição constante, Bubbles hoje evita fotografias. Segundo o santuário, ele “parece saber exatamente quando há uma câmera apontada” e costuma virar de costas ou simplesmente se afastar.

Vinícius presenciou esse comportamento. “Ele tem uma aversão muito grande a flash e câmera. Ele realmente não gosta.” Ao mesmo tempo, o chimpanzé mantém curiosidade em relação às pessoas. “Ele gosta que as pessoas se aproximem, aponta, faz vocalizações, interage bastante”, lembra.

O animal também gosta de provocar reações. “Muitas vezes ele enche a boca de água numa torneira e cospe nos visitantes porque acha engraçada a reação deles.” Segundo o santuário, outra brincadeira frequente é jogar areia em desconhecidos “com uma precisão impressionante”.

  • 🎟️ As visitas ao local, porém, são bastante controladas. O Center for Great Apes não funciona como zoológico aberto ao público. O acesso ocorre apenas por meio de programas educativos e visitas agendadas para apoiadores da instituição. De acordo com o santuário, a decisão busca preservar a privacidade e a rotina dos animais.

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