
Forrozeiro nascido e criado em Cachoeira afirma que, há quatro anos, não é contratado para se apresentar no município onde construiu suas raízes, mas integra a programação junina de cidades vizinhas, como São Félix e Maragogipe
Cachoeira e São Félix são cidades irmãs, separadas apenas pelas águas do Rio Paraguaçu e unidas por uma das mais importantes ligações históricas e culturais do Recôncavo Baiano. Neste São João, porém, essa proximidade geográfica evidencia uma realidade que tem chamado a atenção dos admiradores do cantor e forrozeiro baiano Virgílio Lisboa.
Natural de Santiago do Iguape, distrito pertencente ao município de Cachoeira, Virgílio revelou durante apresentação à Rádio Sociedade, no último dia 27 de maio de 2026, que há cerca de quatro anos não tem a oportunidade de se apresentar nos festejos juninos da cidade onde nasceu e construiu sua trajetória de vida e musical.
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A declaração trouxe à tona um sentimento de frustração, especialmente por se tratar de um artista que carrega consigo as raízes culturais do Recôncavo Baiano e que mantém uma forte identificação com sua terra natal. Apesar da ausência nos palcos de Cachoeira, Virgílio integra a programação junina de municípios vizinhos, entre eles São Félix e Maragogipe.
O fato ganha ainda mais simbolismo ao considerar que São Félix está localizada literalmente do outro lado do rio. Enquanto não encontrará espaço para cantar na cidade onde nasceu e foi criado, o artista atravessará a ponte para levar seu forró ao público são-felista, que poderá prestigiar seu trabalho durante os festejos de São João.
Para muitos admiradores, a situação levanta reflexões sobre a valorização dos artistas locais e regionais. Afinal, mesmo sendo reconhecido e contratado por cidades vizinhas, Virgílio continua sem participar da principal festa popular do município que considera sua casa.
A ausência do cantor nos festejos de Cachoeira contrasta com sua presença em eventos de outras cidades do Recôncavo, reforçando um cenário frequentemente debatido no meio cultural: o reconhecimento que muitas vezes chega primeiro de fora para dentro.
Enquanto o público de São Félix e Maragogipe poderá dançar ao som de seu repertório neste São João, os moradores de Cachoeira não terão a oportunidade de assistir à apresentação de um artista que nasceu em seu território e que continua levando o nome da região por onde passa.
Neste São João, enquanto Cachoeira não contará com a presença de um de seus filhos nos palcos da festa, São Félix abrirá espaço para que Virgílio faça o que sempre fez: celebrar a cultura nordestina através do forró, a poucos metros da cidade onde sua história começou.





