
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enviou um áudio pedindo dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para custear um filme biográfico sobre o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, segundo reportagem publicada nesta quarta-feira pelo site Intercept Brasil. A informação foi confirmada pelo GLOBO e admitida pelo próprio parlamentar no fim da tarde desta quarta-feira.
A cobrança dos recursos feita por Flavio Bolsonaro ocorreu em 8 de setembro de 2025 no momento em que os envolvidos na produção tinham dificuldades para honrar compromissos da montagem.
“Tá num momento muito decisivo aqui do filme e como tem muita parcela pra trás, cara, tá todo mundo tenso e eu fico preocupado com o efeito contrário ao que a gente sonhou pro filme”, diz o senador, em aúdio enviado ao banqueiro.
Outro contato também foi feito dois meses depois, um dia antes de Vorcaro ser preso pela primeira vez na Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de fraudes bilionárias, corrupção passiva e ativa, lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro.
“Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”, diz Flávio.
Os recursos pedidos pelo filho 01 de Bolsonaro e pré-candidato do PL à Presidência da República fazem parte de uma negociação envolvendo Vorcaro e Flávio, no qual o primeiro teria se comprometido a custear parte da produção do filme “Dark Horse”.
O lançamento do longa, que retrata a campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2018, está previsto para o segundo semestre deste ano. O roteiro é assinado pelo deputado federal Mário Frias (PL-SP), ex-secretário da Cultura do governo Bolsonaro, e tem a direção do americano Cyrus Nowrasteh.
O ator Jim Caviezel, famoso por interpretar Jesus no filme “A Paixão de Cristo”, faz o papel de Jair Bolsonaro.
No áudio de novembro, o senador demonstra preocupação e cita a hipótese de até mesmo “dar um calote” no ator Jim Caviezel.
“Imagina a gente dando calote num Jim Caviezel, num Cyrus [Nowrasteh, o diretor]. Os caras renomadíssimos lá no cinema americano e mundial. Pô, ia ser muito ruim. Agora que é a reta final a gente não pode vacilar, não pode não honrar com os compromissos aqui, porque senão a gente perde tudo”, diz o áudio de Flávio, na mensagem.
Vorcaro respondeu a mensagem, dizendo que iria resolver a pendência até o dia seguinte, segundo o Intercept. Naquele mesmo dia, Flávio e o banqueiro ainda se falaram em uma ligação telefônica de 2 minutos, cujo conteúdo não foi revelado, de acordo com o Intercept.
As conversas foram extraídas do celular do banqueiro, que foi apreendido pela Polícia Federal em novembro do ano passado.
Em 7 de novembro do ano passado, Flávio enviou um vídeo de visualização única a Vorcaro e escreveu: “Tá perdendo, irmão! Tudo isso só está sendo possível por causa de vc”. Vorcaro respondeu: “Que demais. Ficou perfeito”. Não é possível saber o conteúdo do vídeo, porque ele foi apagado assim que foi visualizado.
Na manhã desta quarta-feira, Flávio Bolsonaro foi questionado presencialmente pelo site de notícias sobre o financiamento de Vorcaro ao filme e respondeu:
— De onde você tirou essa informação? É mentira.
Depois de uma reunião de emergência com aliados, ele admitiu o acordo para o financimento do filme e as cobranças.
“O que aconteceu foi um filho procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de Lei Rouanet”, afirmou.
Na nota, Flávio diz ter conhecido Vorcaro apenas em dezembro de 2024, quando “não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro”, e afirma que o contato foi retomado posteriormente por causa de atrasos em parcelas de patrocínio destinadas à conclusão do filme.
Publicitário confirmou repasse a filme
De acordo com ele, o valor previsto seria maior, mas os repasses foram suspensos com a crise na instituição financeira. Miranda afirmou ainda que a ligação de Vorcaro com o filme não apareceria publicamente.
Segundo Thiago Miranda, o projeto do filme foi apresentado a ele pelo deputado federal Mario Frias (PL-SP), que pediu ajuda por estar com dificuldade de financiamento.
“Eu tive uma reunião com o Mario Frias, que me apresentou o projeto. Conversei com vários empresários e mostrei pro Daniel [Vorcaro]. O Daniel falou: ‘Cara, eu tenho interesse, sim, em patrocinar’. Na verdade, não é patrocinar, é ser investidor”, afirmou o dono da agência Mithi. “Levei pro Mario Frias, falei: ‘Olha, o Daniel vai entrar’. O contrato foi assinado”.





