MP-BA denuncia três PMs por matar e ocultar corpo de jovem no interior da Bahia

 Foto: Reprodução/TV Santa Cruz

O Ministério Público da Bahia (MP-BA) denunciou três policiais militares pela morte de um jovem de 24 anos e pela ocultação do seu corpo, em Mucuri, cidade no sul da Bahia.

A informação foi divulgada nesta quarta-feira (19), um dia após a ação ser encaminhada à Justiça. Agora, cabe ao órgão definir se torna ou não os investigados réus.

Alex Vila Nova Santos andava de bicicleta no município onde morava, quando foi abordado pelos agentes, em 2022. Desde então, ele nunca mais foi visto e nem entrou em contato com a família.

Segundo o MP-BA, a investigação aponta que os agentes suspeitos do crime chegaram a usar um celular apreendido em uma outra ocorrência para enviar uma mensagem para a ex-companheira da vitima, fingindo ser o jovem. No entanto, a farsa foi descoberta.

Os policiais militares foram identificados pelo órgão como Arthur Garcia dos SantosWilton Gomes de Souza e Winder dos Santos. Os três foram denunciados pelo crime de homicídio qualificado praticado por motivo torpe e mediante recurso que impossibilitou a defesa da vítima, porque o jovem já estava rendido e algemado quando morto.

Em nota, o MP-BA pontuou que requer que os três sejam processados e julgados pelo Tribunal do Júri pela execução do jovem e pediu a prisão preventiva deles.

Foi solicitada também a condenação dos denunciados, a perda dos cargos públicos e a reparação dos danos causados aos familiares da vítima.

Em relação aos crimes de ocultação de cadáver, peculato e fraude processual, o Ministério Público da Bahia ofereceu denúncia contra o grupo na Justiça Militar.

Investigação aponta outras irregularidades

Segundo as denúncias apresentadas pelo órgão, os policiais abordaram Alex Vila no bairro Aroeira, no dia 8 de setembro de 2022. Na ocasião, a vítima foi algemada, colocada na viatura policial e desapareceu.

Para o MP-BA, os elementos produzidos ao longo de quase quatro anos de investigação demonstram que o jovem foi privado de liberdade pelos policiais, permaneceu sob custódia exclusiva da equipe e foi executado, tendo o corpo sido ocultado.

As apurações conduzidas pela Polícia Civil (PC) e reunidas na denúncia apontam ainda que os policiais teriam construído uma versão falsa para encobrir o desaparecimento da vítima.

No dia seguinte aos fatos, registraram boletim de ocorrência alegando que Alex teria fugido após ser abordado. As mensagens foram enviadas para a esposa do jovem em seguida.

As investigações telemáticas identificaram indícios de vínculo entre os aparelhos utilizados e um dos denunciados, reforçando a tese de tentativa de fraude para dificultar a elucidação do caso.

Ainda de conforme as denúncias, laudos periciais, análise de dados telefônicos e telemáticos e a reprodução simulada dos fatos revelaram inconsistências e contradições nas versões apresentadas pelos policiais, além de elementos que indicam que a vítima permaneceu sob custódia da guarnição após a abordagem inicial.

Os relatórios investigativos também apontaram a inexistência de registros que comprovassem a alegada fuga.

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