
A Copa do Mundo sempre tentou unir futebol e música como parte da experiência global do torneio, mas o álbum oficial de 2026 parece ter levado essa ideia para outro nível. Pela primeira vez, a FIFA transformou a trilha da Copa em um projeto realmente amplo, com 18 faixas envolvendo artistas de vários continentes, diferentes idiomas e estilos musicais muito variados.
O aspecto mais marcante do álbum talvez seja justamente a diversidade cultural. Em vez de apostar apenas em músicas pop internacionais com apelo comercial genérico, o projeto mistura artistas e sonoridades que representam regiões diferentes do planeta.
Há presença de afrobeat, reggaeton, trap, pop asiático, música latina, rap norte-americano e até elementos tradicionais ligados aos países-sede. Faixas como “Goals”, com LISA, Anitta e Rema, mostram claramente essa proposta multicultural. Já “Por Ella”, de Los Ángeles Azules e Belinda, valoriza elementos da cultura mexicana em uma Copa que será disputada no México, Estados Unidos e Canadá.
Diversidade real ou estratégia global da FIFA?
Na minha visão, o álbum de 2026 representa culturas diferentes de maneira mais ampla do que muitas edições anteriores da Copa. Copas antigas normalmente ficaram marcadas por uma ou duas músicas gigantescas como Waka Waka (This Time for Africa) mas os projetos musicais completos raramente pareciam tão globais.
O álbum atual tenta refletir diretamente o tamanho e a diversidade da própria Copa de 2026, que também será a maior da história em número de seleções. Outro detalhe importante é a mistura de artistas consolidados com nomes de diferentes mercados musicais emergentes. Isso faz o projeto parecer menos centralizado apenas no eixo EUA-Europa e mais conectado com o público jovem global. Por outro lado, ainda existe um debate válido sobre autenticidade. Algumas pessoas enxergam esse tipo de projeto como uma estratégia muito calculada da FIFA para ampliar alcance comercial e presença cultural.
Em certos momentos, o álbum parece mais próximo de um grande projeto de streaming global do que das músicas espontaneamente associadas ao futebol no passado.
Repórter\ Ian Malta





