
Durante anos, o PSG apostou em uma fórmula clara: reunir algumas das maiores estrelas do futebol mundial e tentar transformar talento individual em domínio europeu. A chegada de Lionel Messi para atuar ao lado de Neymar e Kylian Mbappé parecia representar o ápice dessa estratégia. No papel, poucos times da história recente possuíam tanto talento ofensivo. Porém, o futebol raramente é decidido apenas no papel. Apesar de momentos brilhantes, aquele PSG nunca conseguiu conquistar a Champions League. Problemas de equilíbrio tático, dificuldades defensivas e uma dependência excessiva do talento individual impediram que o projeto atingisse seu principal objetivo. Já o PSG campeão europeu apresentou uma identidade completamente diferente.
Sob o comando de Luis Enrique, o clube passou a priorizar intensidade, organização coletiva e comprometimento sem a bola. Em vez de depender de três superastros para resolver partidas, o time passou a funcionar como uma máquina coletiva.
Mais talento ou mais futebol?
No meu ver, o PSG de Messi, Neymar e Mbappé possuía mais talento individual. Poucos trios ofensivos da história conseguiram reunir tanta qualidade técnica, criatividade e poder de decisão ao mesmo tempo. Mas quando a pergunta é qual equipe era mais forte, a resposta parece favorecer o PSG campeão da Champions. O futebol contemporâneo exige equilíbrio. Atacar bem já não é suficiente; é preciso pressionar, defender, controlar espaços e manter intensidade durante noventa minutos. O PSG atual parece muito mais preparado para cumprir todas essas funções. Jogadores como Vitinha, Achraf Hakimi, Nuno Mendes, Khvicha Kvaratskhelia, Ousmane Dembélé e Désiré Doué formaram um conjunto extremamente competitivo, onde praticamente todos contribuem tanto ofensivamente quanto defensivamente.
Outro detalhe importante é a consistência. O PSG campeão raramente pareceu depender de um único jogador para vencer partidas. Quando uma peça tinha atuação discreta, outra assumia protagonismo. Essa diversidade tornou a equipe muito mais difícil de neutralizar. Isso não significa que o trio Messi, Neymar, Mbappé tenha sido um fracasso. Pelo contrário: foi um dos projetos mais ambiciosos da história recente do futebol.
Porém, a realidade mostrou que acumular estrelas não garante automaticamente um time melhor. Talvez a maior ironia da história seja justamente essa: o PSG conquistou a Champions não quando teve os maiores nomes, mas quando encontrou sua melhor versão como equipe
Repórter\ Ian Malta





