14 dias de folga na semana, salário acima do mercado: engenheira offshore conta como é trabalhar em uma plataforma de petróleo

 Foto: Reprodução/Instagram

Apaixonada por viagens, Prinna Lima sempre sonhou com uma carreira que lhe permitisse flexibilidade e conhecer o mundo. Em empregos comuns, o desejo dificilmente sairia do papel. Só que ao se tornar uma engenheira de petróleo offshore – carreira que exerce em uma estação petrolífera em alto-mar – isso se torna real. Hoje, ela passa 14 dias na plataforma e 14 dias de folga, o que permite “mini-férias” todos os meses em cidades do Brasil e no exterior.

Gradativamente a área tem ganhado mais a presença de mulheres, apesar da disparidade de gênero. Em 2026, um estudo a Dieese – Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos – apontou que as mulheres representam 17,7% da força de trabalho na área gás e petróleo, o que representa cerca de 19,74 mil trabalhadoras, um número consideravelmente menor ao de homens, que chega a mais de 91 mil homens.

Prinna, que atua na área desde 2017 e atua como engenheira de produção offshore da PetroRio, confirma os dados. “Quando eu entrei na faculdade, havia muitas meninas, éramos metade da sala. Porém, quando você vai alcançando outros espaços, há um afunilamento, você percebe uma redução drástica. No offshore, são poucas mulheres a bordo”, conta em entrevista a Marie Claire.

Nas redes, a engenheira viralizou ao compartilhar as viagens que faz pelo mundo, lifestyle que só é possível graças à escala diferenciada nas plataformas de petróleo e à remuneração. Segundo ela, o objetivo principal era mostrar sua perspectiva profissional, além de incentivar novos talentos na área, especialmente mulheres.

“É a uma área muito cíclica. Há momentos certos para se formar. Atualmente, devido aos conflitos no Oriente Médio, é um momento de alta e precisamos de mais profissionais. Apesar de não ser um mercado tão grande, como o de engenharia mecânica e civil, ainda falta mão de obra qualificada.”

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O que é preciso para ingressar na carreira do gás e petróleo

A princípio a carreira do gás e petróleo não estava nos planos de Prinna. Como apresentava um bom desempenho na área de exatas desde a escola, ela tinha a pretensão de seguir os passos do pai na Engenharia Elétrica. No entanto, ele mesmo aconselhou que a filha cogitasse o trabalho na área de petróleo e gás.

Além do conhecimento técnico, o domínio de outros idiomas é um diferencial: “Meu pai sabia que meu estilo de vida era mais semelhante a quem atuava com gás e petróleo. Eu sabia falar inglês, gostava de viajar e sou muito fácil de me adaptar à qualquer rotina”, relembra.

A média salarial da área também chamou atenção de Prinna: hoje, um engenheiro iniciante ganha cerca de R$ 15 mil. Ao longo dos anos, promoções podem fazer os salários chegarem a R$ 40 mil. Interessada, ela estudou na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).

“Eu cursei engenharia de petróleo com com um objetivo de trabalhar embarcada mesmo e ter 14 dias de folga, para poder realmente utilizar esse tempo para viagens [risos]. No entanto, isso não aconteceu no início. Na minha época de trainee, fui parar na Rússia, em poços em terra, passei um ano por lá. Quando retornei, continuei em poços terrestres no nordeste do Brasil e só fui chamada para trabalhar no offshore depois. Acredito que o aprendizado em terra firme era uma bagagem necessária para embarcar”, relembra.

Há quatro anos embarcada, Lima é uma das responsáveis pela qualidade de poços marinhos no Rio de Janeiro (RJ), onde passa 14 dias seguidos trabalhando: “Para mim, é uma rotina com a qual consigo lidar. É claro que nesta escala, temos tempo livre para treinar, comer e descansar”

Os desafios em alto-mar

Prinna também aponta que a desigualdade de gênero não faz com que se sinta diminuída por seus colegas homens. No entanto, confessa que se sente sozinha. “Hoje, existem vagas afirmativas para mulheres, mas ainda assim, é um meio solitário para as engenheiras. Percebo isso mais na tomada de decisões. Homens acabam se unindo em uma votação e você tende a ficar sozinha”.

Para a engenheira, seu principal desafio na profissão é saber que vai perder momentos familiares ou eventos importantes: “No geral, metade de um mês passa rápido, mas é preciso se acostumar com as ausências. Já fiquei muito triste de perder casamentos, aniversários e shows. Eu diria que o maior desafio é a distância dos amigos e da família nessas ocasiões”.

Habituada com a função e longos dias em alto-mar, Lima acredita que, para ela, a área do gás e petróleo tem mais vantagens do que desvantagens:

“O diferencial dessa área é o poder financeiro e independência que ela permite. O que tem me motivado a fazer vídeos sobre isso nas redes é que outras meninas têm se inspirado em mim, eu tenho recebido mensagens de algumas e isso me deixa muito positiva sobre a nossa presença no mercado”.

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