
As Forças Armadas dos Estados Unidos afirmaram nesta terça-feira (14) que nenhuma embarcação passou pelo bloqueio estabelecido pelos EUA no Estreito de Ormuz.
➡️Na segunda-feira (13), os EUA iniciaram um bloqueio naval com 12 navios de guerra estacionados perto da entrada do estreito, no Golfo de Omã, para barrar a passagem de qualquer navio vindo ou indo a portos iranianos ou com ligações com o Irã. A medida foi anunciada pelo presidente norte-americano, Donald Trump como retaliação à resistência de Teerã de rebarir o Estreito de Ormuz.
Em comunicado nesta manhã, as Forças Armadas dos EUA afirmaram que o bloqueio está sendo monitorado por 10 mil marinheiros, fuzileiros navais e aviadores norte-americanos, distribuídos por 12 navios de guerra e “dezenas” de aeronaves.
“Durante as primeiras 24 horas, nenhum navio conseguiu passar pelo bloqueio dos EUA, e seis embarcações mercantes acataram as ordens das Forças dos EUA para dar meia-volta e reentrear em um porto iraniano no Golfo de Omã”, diz o comunicado.
As Forças Armadas dos EUA não especificaram as embarcações que fizeram o retorno, mas sites de monitoramento do tráfego naval mostraram que ao menos dois navios, chineses, deram meia-volta após cruzarem o Estreito de Ormuz e se aproximarem do trecho bloqueado pelas embarcações militares dos EUA
Um deles, o petroleiro chinês Rich Starry, regrediu em sua rota durante a manhã desta terça após entrar no Golfo de Omã, onde navios de guerra dos EUA estão estacionados, segundo análise do g1 no site MarineTraffic.
Outros dois petroleiros também cruzaram o Estreito de Ormuz nesta manhã, mas ainda não havia mais informações sobre a rota que fizeram até a última atualização desta reportagem.
Segundo as plataformas de monitoramento de tráfego naval Kpler, LSEG e MarineTraffic, os quatro petroleiros têm ligação com o Irã e são os seguintes:
- Rich Starry;
- Elpis;
- Peace Gulf;
- Murlikishan;
- Guan Yuan Fu Xing.
Segundo dados das companhias de monitoramento, o navio-tanque Rich Starry foi o primeiro navio a atravessar o estreito e a sair do Golfo desde o início do bloqueio. A embarcação e sua proprietária, a empresa chinesa Shanghai Xuanrun Shipping Co Ltd, são alvos de sanções dos Estados Unidos por negociarem com o Irã.
O Rich Starry, ainda de acordo com as plataformas, tem médio porte e transporta cerca de 250 mil barris de metanol, carregados em seu último porto de escala, o Hamriyah, nos Emirados Árabes Unidos. Os dados também mostraram que o petroleiro de propriedade chinesa tem tripulação chinesa a bordo.
Segundo o MarineTraffic, o Rich Starry atravessou Ormuz vindo do Golfo Pérsico em direção ao Golfo de Omã, mas pareceu dar meia-volta por volta das 8h da manhã, no horário de Brasília, desta terça e desde então ruma de volta em direção ao estreito.
As proprietárias ainda não haviam se manifestado sobre a mudança na rota das embarcações até a última atualização desta reportagem.
O Exército dos EUA realiza bloqueio marítimo do Golfo de Omã e do Mar Arábico, além da costa e de portos iranianos, desde a manhã de segunda-feira, pelo horário de Brasília.
👉 O bloqueio dos EUA tem como objetivo limitar o trânsito marítimo Estreito de Ormuz, fechado pelo Irã desde o início da guerra e que desde então tem registrado travessia de navios ligados ao regime iraniano ou que pagam “pedágio”.
Outro petroleiro sancionado pelos EUA, o Murlikishan, também entrou no Golfo Pérsico pelo Estreito de Ormuz na terça-feira, segundo dados da LSEG. O petroleiro estava vazio e deve carregar óleo combustível no Iraque, de acordo com a Kpler.
A embarcação, anteriormente conhecida como MKA, já transportou petróleo russo e iraniano.
Já o Elpis saiu do porto em Bushehr, no Irã, e cruzou o Estreito de Ormuz na madrugada entre segunda e terça-feira, porém está parada no norte do Golfo do Omã desde então, segundo o MarineTraffic.
O Peace Gulf, de bandeira panamenha, saiu do Omã e atravessou o Estreito rumo a um porto nos Emirados Árabes, segundo dados de monitoramento.
O Ministério das Relações Exteriores da China disse nesta terça-feira que o bloqueio dos EUA aos portos iranianos pelos EUA é “perigoso e irresponsável”, alertando que isso apenas agravaria as tensões
Desde o início da guerra no Irã, uma das principais consequências foi o fechamento do Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. Desde então, Donald Trump tem atuado incessantemente para reabrir a passagem e aliviar a pressão sobre a economia global. Agora, no entanto, é o próprio presidente norte-americano quem bloqueia o fluxo na região — mas por quê?
O estreito nunca esteve completamente fechado. O governo iraniano permitem a passagem de alguns petroleiros de parceiros estratégicos, porém, mediante o pagamento de um ‘pedágio’ que pode chegar a até US$ 2 milhões por navio.
Além disso, as próprias embarcações iranianas também tinham livre passagem, mantendo em funcionamento a principal fonte de receita do país. Segundo a empresa de dados e análise Kpler, o Irã exportou, em média, 1,85 milhão de barris de petróleo por dia.
Nesta segunda-feira (13), porém, Trump também passou a obstruir a rota. “Eu também instrui à nossa Marinha a procurar e abordar todas as embarcações em águas internacionais que tenham pago pedágio ao Irã. Ninguém que pague um pedágio ilegal terá passagem segura em águas abertas”, disse o republicano em postagem na rede social Truth Social.
A estratégia do presidente norte-americano é semelhante à adotada em janeiro deste ano na Venezuela: o estrangulamento financeiro.
Ao fechar a via para embarcações, Donald Trump corta uma importante fonte de receita do governo iraniano, já que o petróleo representa cerca de 10% a 15% do PIB do país.
Trump disse à emissora Fox News que “não vamos deixar o Irã lucrar vendendo petróleo para quem eles gostam e não para quem eles não gostam”, afirmando que o objetivo do bloqueio naval americano era permitir a passagem de “tudo ou nada” pelo estreito de Ormuz.
Analistas sugerem que as declarações de Trump e o bloqueio naval visam pressionar o Irã a fechar um acordo de paz nos termos americanos, algo que não ocorreu nos últimos dias.
No programa “Face the Nation” (“Encarando a Nação”, em tradução livre), da emissora americana CBS, o congressista republicano Mike Turner, de Ohio, afirmou que o bloqueio naval norte-americano era uma forma de forçar uma resolução para o fechamento do estreito de Ormuz.





