
Pelo menos 142 prefeituras gaúchas já enfrentam falta de diesel. O dado gera um alerta para o pleno funcionamento dos serviços essenciais dos municípios do Rio Grande do Sul, segundo comunicado da Famurs (Federação das Associações de Municípios do RS).
O número corresponde a quase 30% dos 497 municípios do estado. Até publicação do comunicado da Famurs, na sexta-feira (20), 315 prefeituras responderam a pesquisa.
Segundo a federação, prefeitos do RS estão precisando priorizar serviços na área da saúde, como o transporte de pacientes, enquanto obras e atividades que dependem de maquinário começam a ser suspensas em razão da escassez de combustível.
Para Adriane Perin de Oliveira, presidente da Famurs e prefeita da cidade de Nonoai, a situação tende a se agravar nos próximos dias, se não houver nenhuma medida para garantir o abastecimento de diesel.
“Vamos levar esses dados ao governador e reforçar a necessidade de buscarmos alternativas para garantir o pleno funcionamento dos serviços. Precisam de respostas efetivas, especialmente por parte do governo federal”, afirmou em nota.
Por que o alerta?
A disparada do preço do petróleo no exterior desde a eclosão da guerra no Oriente Médio pressiona o custo do diesel e gera preocupação quanto ao desabastecimento de combustíveis em todo o país.
O governo federal vem anunciando algumas medidas para conter o impacto, mas agentes de mercado avaliam que a implementação precisa ser imediata e pode ser insuficiente diante do tamanho da crise no setor.
A primeira delas é a Medida Provisória nº 1.344/2026, publicada na quinta-feira (19), para conceder um crédito extraordinário de R$ 10 bilhões para o Ministério de Minas e Energia. A MP garante subvenção econômica à comercialização de óleo diesel por produtores e importadores de óleo diesel, segundo medida anunciada na semana passada.
A outra medida principal foi zerar os dois impostos federais que incidem sobre o diesel: o Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins).
A Fazenda também propôs que estados zerem o ICMS sobre a importação do diesel, com a União arcando com metade da perda de arrecadação. O objetivo, nesse caso, é impedir que haja desabastecimento pelo descasamento entre os preços do combustível no mercado doméstico e externo.
Até sexta-feira (20), no entanto, apenas o governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), sinalizou positivamente sobre a possibilidade de zerar o ICMS sobre o combustível no estado.





