
O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) revogou a concessão de visto de Darren Beattie, assessor do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para temas relacionados ao Brasil, que iria visitar o país na próxima semana.
Beattie estava com uma viagem marcada ao Brasil e visitaria Jair Bolsonaro (PL) na Papudinha, onde o ex-presidente está detido. Mas o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) — responsável por aprovar esse tipo de solicitação — negou o pedido da defesa para o encontro (relembre mais abaixo).
Fontes da diplomacia informam que o governo brasileiro está usando o princípio de reciprocidade, adotado internacionalmente, inclusive pelos americanos, de revogação de vistos.
Mais cedo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que Beattie só entrará no país quando o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, puder viajar aos Estados Unidos.
“Aquele cara americano que disse que vinha pra cá, pra visitar o Jair Bolsonaro, ele foi proibido de visitar e eu o proibi de vir ao Brasil, enquanto não liberar os vistos do ministro da Saúde, que estão bloqueados”, afirmou.
Em agosto do ano passado, os Estados Unidos cancelaram o visto da mulher e da filha, de 10 anos, de Alexandre de Padilha. O visto do ministro não foi revogado porque já estava vencido
No entendimento do governo, o secretário do governo Trump mentiu sobre o motivo da viagem ao pedir o visto, de acordo com fontes ligadas à diplomacia
Visita ao Brasil
Na terça-feira (10), a defesa do ex-presidente Bolsonaro enviou um pedido a Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo, pedindo que a visita fosse concedida de forma excepcional na segunda (16) ou na terça-feira (17), por motivos de agenda do norte-americano.
Bolsonaro está preso na Papudinha, em Brasília, onde cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. As visitas ao ex-presidente precisam receber o aval de Moraes, relator do processo que levou o político à cadeia.
Moraes permitiu a visita, no entanto, autorizou que ela fosse realizada na quarta-feira (18). As visitas na unidade prisional onde Bolsonaro está detido são, tradicionalmente, às quartas e sábados. No dia seguinte, a defesa pediu que ele reconsiderasse a data, ainda por motivos de agenda.
A embaixada dos Estados Unidos no Brasil não detalhou o motivo da viagem. Informou apenas que “Darren Beattie viajará em breve ao Brasil para promover a agenda de política externa America First”.
🔎A doutrina “America First”, ou América em primeiro lugar, na tradução livre, é um plano do governo Donald Trump que fala sobre reajuste da presença militar norte-americana em um contexto global para enfrentar ameaças urgentes no hemisfério ocidental.
Moraes, então, solicitou informações ao Itamaraty sobre a agenda diplomática do secretário de Trump no Brasil.
Diante disso, Moraes voltou atrás e retirou a autorização para o encontro entre Bolsonaro e Beattie.
Vale lembrar que o ex-presidente foi internado nesta sexta-feira (13) no Hospital DF Star, em Brasília, diagnosticado com um quadro de broncopneumonia. Ele está sendo tratado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
MRE pediu esclarecimentos à embaixada
O Itamaraty convocou o encarregado de Negócios da Embaixada dos Estados Unidos, Gabriel Escobar, a prestar esclarecimentos sobre a vinda ao Brasil de Darren Beattie.
Ele foi recebido na terça-feira (11) pelo embaixador Roberto Abdalla, secretário de Europa e América do Norte do Itamaraty. Na conversa, explicou que o principal motivo da viagem de Beattie seria a participação em um fórum sobre terras raras.
Mas, fontes ligadas ao governo norte-americano afirmam que, apesar da presença confirmada no evento, Beattie pretendia priorizar a visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), antes de o ministro Alexandre de Moraes rever a decisão e vetar o encontro.





