O Oscar ainda dita o que é “bom cinema”?

Foto: Al Seib

Durante décadas, o Oscar foi tratado como o principal selo de qualidade do cinema mundial. Filmes premiados ganhavam status de obras definitivas, enquanto indicações já bastavam para legitimar carreiras e estilos. No entanto, o cenário audiovisual mudou drasticamente: o crescimento do streaming, a diversificação de públicos e a valorização de cinematografias fora do eixo hollywoodiano colocaram em xeque o poder centralizador da premiação. Hoje, muitos dos filmes mais comentados, influentes ou populares do ano sequer passam perto das categorias principais do Oscar.

Além disso, a Academia carrega limitações evidentes. Suas escolhas frequentemente refletem recortes específicos de gosto, indústria e política cultural, o que gera um distanciamento entre o que é premiado e o que realmente marca o público ou influencia o cinema contemporâneo. O Oscar ainda possui prestígio, mas já não consegue abranger toda a complexidade e pluralidade do cinema atual.

Prestígio não é mais sinônimo de autoridade absoluta

Na minha opinião, o Oscar já não dita sozinho o que é “bom cinema”. Ele continua sendo uma vitrine poderosa, mas deixou de ser o termômetro definitivo de qualidade artística. Hoje, bons filmes são reconhecidos em festivais, plataformas digitais, redes sociais e até pelo boca a boca, sem depender da validação da Academia.

O Oscar ainda importa mas como parte do debate, não como a palavra final. O cinema cresceu além dele, e isso diz mais sobre a força da arte do que sobre a perda de relevância da premiação.

Repórter\ Ian Malta

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