
Milhares de cubanos, em sua maioria jovens, marcharam em Havana na noite dessa terça-feira para protestar contra as ameaças dos EUA contra a ilha caribenha, durante a tradicional “marcha das tochas”.
Este ano, a marcha, com seu forte significado histórico, também foi declarada “anti-imperialista”, em um contexto de crescentes tensões entre Washington e Havana, após a operação militar dos EUA que culminou na captura, no início de janeiro, do então presidente venezuelano Nicolás Maduro, principal aliado político de Cuba na região.
Desde então, o presidente dos EUA, Donald Trump, endureceu suas críticas públicas a Cuba a ponto de instar a ilha a “chegar a um acordo”, cuja natureza ele não especificou, “antes que seja tarde demais“.
– Este não é um ato de nostalgia, é um chamado à ação – disse Litza Elena González Desdín, presidente da Federação de Estudantes Universitários, uma das organizações estudantis que convocaram a manifestação, à multidão reunida aos pés da escadaria da Universidade de Havana. – Em tempos de ameaça, a firmeza ideológica e a defesa da pátria são essenciais.
Liderando a marcha estava o presidente cubano Miguel Díaz-Canel, ao longo de um percurso de cerca de um quilômetro que serpenteava por diversas ruas de Havana.
– Nós somos a continuidade -da revolução, disse Lorena González, uma atleta de 18 anos. – Devemos seguir em frente e representar o país – afirmou ela enquanto marchava ao lado de seus colegas estudantes carregando tochas improvisadas.
Essa mobilização é tradicionalmente realizada em 27 de janeiro, véspera do aniversário do herói nacional cubano, José Martí (1853-1895), e recria um desfile organizado na noite de 27 de janeiro de 1953 pelo então estudante e futuro líder cubano Fidel Castro (1926-2016) e outros jovens, em desafio ao governo de Fulgencio Batista.
– Podemos ter milhares de problemas – comentou Migdelio Rosabal, um operário de 58 anos, referindo-se à grave crise estrutural que a ilha atravessa, – mas os cubanos não têm medo, embora queiramos a paz.





