
O Brasil já foi muito mais dependente do mercado americano. Hoje, com o avanço da agricultura, da indústria de transformação e de novos acordos comerciais, essa dependência diminuiu bastante. E, diante dessa crise, o país está mostrando que tem fôlego próprio.
O contexto
Historicamente, os Estados Unidos já foram o principal parceiro comercial do Brasil. Nas décadas de 80 e 90, qualquer crise no relacionamento entre os dois países impactava diretamente nossa economia. Hoje, o cenário é outro. A China ocupa a liderança nas exportações brasileiras, e outros mercados — como União Europeia, Oriente Médio e Sudeste Asiático — vêm ganhando espaço.
O que está acontecendo de fato?
Sim, há setores que sentirão mais o peso das tarifas americanas — especialmente alguns nichos da indústria de transformação e produtores voltados quase exclusivamente ao mercado dos EUA. Mas, segundo o secretário da Fazenda, o governo já tem um conjunto de medidas em estudo para amortecer esses impactos.
Além disso, a agricultura e o agronegócio brasileiro, que respondem por grande parte das exportações, têm um leque de compradores muito mais diversificado do que no passado. Isso dá ao Brasil uma resiliência inédita frente a ataques econômicos de um único país.
Oportunidade no meio da crise?
A imposição de tarifas pode acabar funcionando como um catalisador para ampliar a presença do Brasil em mercados pouco explorados. Países africanos, do sudeste asiático e até do leste europeu podem se tornar destinos estratégicos. E, internamente, parte da produção que seria exportada pode ser redirecionada para o consumo nacional, ajudando a reduzir preços e fortalecer o mercado interno
A “bomba” de Trump não gerou a explosão prevista. É claro que ajustes serão necessários e que empresas mais dependentes dos EUA terão de se adaptar rapidamente. Mas o Brasil, mais preparado e menos dependente do que no passado, parece pronto para transformar esse desafio em oportunidade.
O secretário da Fazenda já adiantou que medidas específicas estão sendo preparadas para os setores mais afetados. Sim, haverá impacto — mas nada no nível apocalíptico que se previa.
Mais que isso: a crise abre portas. Vai obrigar o Brasil a visitar mercados pouco explorados, colocar nossos produtos onde nunca chegaram e fortalecer o consumo interno, com preços mais competitivos e mais vantajosos para o próprio brasileiro.
No fim das contas, a “bomba” de Trump pode acabar virando um empurrão para a independência econômica que o Brasil vem construindo.
Por| Alenilton Malta






