Furto de vírus na Unicamp: H1N1 estava entre amostras levadas 

 Foto: reprodução

Amostras dos vírus H1N1 e H3N2, causadores da gripe tipo A, estavam entre o material biológico furtado do Laboratório de Virologia da Unicamp. Os micro-organismos foram transportados sem autorização para outros laboratórios da universidade e ficaram desaparecidos por 40 dias.

Uma pesquisadora foi presa e responderá em liberdade por furto, por colocar a saúde das pessoas em risco e pelo transporte sem autorização de material geneticamente modificado. De acordo com a Polícia Federal (PF), o marido dela, Michael Edward Miller, também é investigado.

🔎Os vírus Influenza H1N1 e H3N2 são aqueles normalmente associados a gripe sazonal, que acomete humanos todos os anos, geralmente durante o inverno. Segundo professor José Luiz Modena, da Unicamp, eles são classificados como agentes nível 2 de biossegurança, já que conferem risco moderado/brando para os trabalhadores e ambiente.

A Polícia Federal nega que tenha havido contaminação externa nesse caso e garante que todas as amostras foram recuperadas e os vírus ficaram apenas dentro da universidade.

Além dos subtipos do Influenza, havia outros vírus – humanos e suínos – no conteúdo levado. Todas as amostras foram encaminhadas ao Ministério da Agricultura e Pecuária, que mantém em sigilo a informação sobre os tipos virais envolvidos no caso.

O Laboratório de Virologia da Unicamp é uma área de nível 3 de biossegurança (NB-3), que exige protocolos rigorosos e é, atualmente, o nível mais alto possível para se estudar agentes infecciosos (como vírus e bactérias) em laboratórios no Brasil.

🔎 Classe de risco 3 é aquela em que o agente infeccioso apresenta alto risco para o indivíduo e risco moderado para a comunidade. São agentes que podem causar doenças graves ou letais, transmitidos especialmente pelo ar, e podem se espalhar na comunidade, embora existam medidas de prevenção e tratamento. Exemplos: Bacillus anthracis e vírus da imunodeficiência humana (HIV). O Orion, primeiro laboratório do Brasil com nível 4 (máximo) de biossegurança está em construção em Campinas, com previsão de ficar pronto em 2027.

O material pertencia ao laboratório do Instituto de Biologia e, após 40 dias desaparecido, foi recuperado pela PF na Faculdade de Engenharia de Alimentos, a aproximadamente 350 metros de distância do local de origem.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

três × dois =