
O governo do presidente Donald Trump rejeitou esforços dos aliados do Oriente Médio para iniciar negociações diplomáticas com o objetivo de acabar com a guerra do Irã, que começou há duas semanas com um ataque aéreo maciço dos EUA e de Israel, de acordo com três fontes familiarizadas com as tratativas.
O Irã, por sua vez, rejeitou a possibilidade de qualquer cessar-fogo até que os ataques dos EUA e de Israel terminem, disseram duas fontes iranianas seniores à Reuters, acrescentando que vários países estão tentando mediar o fim do conflito.
A falta de interesse de Washington e Teerã sugere que os dois lados estão se preparando para um conflito prolongado, mesmo com o aumento da guerra infligindo baixas civis e o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã fazendo com que os preços do petróleo disparem.
Os ataques dos EUA à ilha iraniana de Kharg, o principal centro de exportação de petróleo do país, na noite de sexta-feira (13), ressaltaram a determinação de Trump em avançar com seu ataque militar.
O novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, prometeu manter o Estreito de Ormuz fechado e ameaçou intensificar os ataques aos países vizinhos.
A guerra já matou mais de 2.000 pessoas, a maioria no Irã, e gerou a maior disrupção no fornecimento de petróleo de todos os tempos com a interrupção do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, por onde é transportado 20% do petróleo do mundo.
Tentativas de abrir linhas de comunicação
Omã, que mediou negociações antes da guerra, tentou várias vezes abrir uma linha de comunicação, mas a Casa Branca deixou claro que não está interessada, de acordo com duas fontes, que, como outras nesta história, pediram anonimato para falar livremente sobre assuntos diplomáticos.
Uma autoridade sênior da Casa Branca confirmou que Trump rejeitou os esforços para iniciar conversações e está concentrado em prosseguir com a guerra para enfraquecer ainda mais a capacidade militar de Teerã.
“Ele não está interessado nisso no momento, e vamos continuar com a missão sem parar. Talvez haja um dia, mas não agora”, disse a autoridade.
Durante a primeira semana da guerra, Trump escreveu em sua plataforma Truth Social que a liderança e os militares do Irã estavam tão abalados pelos ataques israelenses e norte-americanos que queriam conversar, mas que era “tarde demais!”.
Trump tem um histórico de mudar suas posições da política externa sem aviso prévio, o que torna difícil descartar que ele possa testar uma possível retomada da diplomacia.
As fontes iranianas disseram que Teerã rejeitou esforços de vários países para negociar um cessar-fogo até que os EUA e Israel encerrem seus ataques aéreos e atendam às exigências do Irã, que incluem o fim permanente dos ataques dos EUA e de Israel e uma compensação como parte de um cessar-fogo.
O Egito, que estava envolvido na mediação antes da guerra, também tentou reabrir as comunicações, de acordo com três fontes diplomáticas e de segurança.
Embora os esforços não pareçam ter progredido, eles garantiram alguma restrição militar dos países vizinhos atingidos pelo Irã, de acordo com uma das fontes.
O Ministério das Relações Exteriores do Egito, o governo de Omã e o governo iraniano não responderam a pedidos de comentários.





