
O futebol vive uma cultura de imediatismo cada vez mais intensa. Técnicos são contratados com discursos de projeto e planejamento, mas acabam sendo avaliados quase exclusivamente pelos resultados das primeiras semanas. Sequências curtas de derrotas costumam ser suficientes para gerar demissões, independentemente de contexto, elenco disponível ou desempenho em campo.
Nesse contexto, o nome de Léo Condé surge como um exemplo claro das contradições do sistema. Técnico reconhecido pela organização tática, capacidade de gestão de elenco e leitura de jogo, Condé realizou trabalhos consistentes tanto no Vitória quanto no Ceará, deixando marcas de evolução coletiva, competitividade e identidade de jogo. Ainda assim, como tantos outros profissionais, esteve submetido a cobranças que ignoram o tempo necessário para amadurecimento de um projeto esportivo.
No Vitória, Léo Condé foi peça central na reconstrução da equipe, apostando em equilíbrio defensivo, transições bem definidas e valorização de atletas que antes eram subaproveitados. No Ceará, mesmo diante de contextos distintos, mostrou novamente competência ao buscar soluções dentro das limitações estruturais e financeiras do clube. Em ambos os casos, o desempenho técnico muitas vezes ficou em segundo plano diante da obsessão por resultados imediatos.
O problema não está apenas nas diretorias, mas em uma cultura enraizada que envolve torcidas, imprensa e mercado. A troca constante de treinadores impede a consolidação de ideias, gera instabilidade interna e, paradoxalmente, afasta os próprios resultados que se busca alcançar. Técnicos preparados acabam descartados antes que seus métodos possam produzir efeitos mais duradouros.
Valorizar profissionais como Léo Condé passa, necessariamente, por uma mudança de mentalidade no futebol brasileiro. Planejamento, continuidade e avaliação criteriosa de desempenho precisam prevalecer sobre decisões reativas. Enquanto o resultado for tratado como único parâmetro, o futebol seguirá desperdiçando bons técnicos e repetindo um ciclo que limita sua própria evolução.
Esse cenário é especialmente comum em clubes que vivem pressão constante de torcida e mídia, onde a troca frequente de treinadores se torna uma tentativa rápida de resposta à crise. Como consequência, projetos são interrompidos, estilos de jogo mudam repetidamente e o elenco raramente se adapta a uma ideia clara e duradoura.
De que forma o curto prazo pode sufocar o futebol
Na minha opinião, técnicos se tornaram reféns de um sistema impaciente. Acredito que a obsessão por resultados imediatos impede evolução real e estabilidade. Para mim, enquanto o futebol tratar o treinador como solução instantânea, os mesmos problemas continuarão se repetindo temporada após temporada.
No Brasil essa situação de técnico necessitar de resultado imediato vem sendo cada vez mais comum, o que acaba prejudicando a instituição do clube inteira .
Repórter\ Ian Malta





